Como diria Raulzito: se a onda agora é fazer protesto, eu também vou reclamar

Qual o problema com os quadrinhos brasileiros? Essa pergunta talvez seja a mais difundida desde que começou a se produzir figuras, balões e diálogos em terras tupiniquins. Assim como a maioria das pessoas que produzem algum tipo de quadrinho e a maioria dos leitores deste blog ou de qualquer outro blog sobre/de quadrinhos, eu também não sei a resposta. Mas podemos pensar um pouco sobre isso.

Algo parece ser um fato no cenário de quadrinhos no Brasil: a maioria dos leitores de quadrinhos não consegue enxergar o quadrinho nacional. Com a exceção feita aos que desenham e sempre buscam fanzines e outras produções nacionais, poucos são os leitores efetivos de HQs (aqueles que sempre estão na banca perguntando pela última edição do Batman e dos X-men) que buscam algo produzido nacionalmente.

Talvez os quadrinhos nacionais não tenham qualidade suficiente, tanto gráfica quanto argumentativa, pra chamar a atenção desse leitor habituado às mirabolantes sagas da Marvel e da DC. Porém, há de se pensar também que esse leitor esteja habituado demais ao estilo “super-herói” e espere que do Brasil venha um boa HQ dessas. Pessoalmente, acredito que esse bom “super-herói” não chegou e nunca vai chegar, principalmente porque essa coisa de super-heróis é uma invenção estadunidense e que se adequa muito bem à visão deles (e que foi difundida pelo resto do mundo).

Definitivamente, “nossa praia é outra”.

Certa vez, ainda na graduação, meu professor de “Literatura Comparada” (Luciano Justino), ressaltou que, na opinião dele, os grandes “super-heróis” do quadrinho nacional são personagens como Rêbordosa, Skrotinhos, Aline, Piratas do Tietê, Pererê, Maluquinho, Mônica e tantos outros clássicos do cartum nacional. Eu concordo plenamente.

O mercado editorial brasileiro é fraco e sofrido em todos os segmentos – os autores de literatura sabem muito bem disso – e no caso dos quadrinhos não é diferente. Contudo, alguns títulos/personagens conseguem se destacar em meio a essa tristeza. Esses títulos são justamente de autoria de gênios do humor tipicamente nacional.

Muitos podem criticar e até torcer o nariz, mas a criação de Maurício de Sousa é brilhante pelo seu conteúdo eternamente atrativo e atualizável. Aliás, foi por meio de Maurício de Sousa e da coleção da Coca-Cola (acho que de 1989 ou 1990) que eu comecei a leitura de quadrinhos, quando eu tinha 4 ou 5 anos. Como minha família não tinha condições de comprar revistinhas pra mim, eu juntava tampinhas de Coca, Fanta e Sprite nos bares da vizinhança (com a ajuda de vizinhos e parentes) e periodicamente trocava pela minha revistinha na banca mais próxima (consegui toda a coleção). Hoje não tenho nenhuma dessas edições. Troquei por outras ou dei pra algum primo mais novo que provavelmente jogou fora após as primeiras “olhadelas”.

Além de Maurício de Souza, não podemos esquecer do Mestre inigualável e inimitável Ziraldo. Seu fenomenal personagem, o Menino Maluquinho e a incrível Turma do Pererê invadiram as bancas de quadrinhos e tomaram conta do público, alegrando toda uma geração. Quando criança em Campina Grande, depois da iniciação com a coleção Coca-Cola da Turma da Mônica, eu visitava periodicamente a feira-central da cidade em busca das bancas de revistas usadas. Por que na feira-central? Oras, porque lá tinha os Gibis usados mais baratos, e por uma simples razão: a imensa maioria não tinha capa e/ou faltavam algumas páginas. Nada grave. E na minha lista de compras semanais (eu ganhava 2 ou três revistas, dependendo do humor de minha mãe) eu sempre buscava uma de super-heróis (achava ruim não poder acompanhar as sagas, já que nunca achava o número seguinte da revista) e outra da mônica, zé-carioca (esse é traço e argumento nacional), menino maluquinho ou Pererê (quando tinha, porque nessa época o Pererê tava morrendo no mercado).

Por falar em “morte” no mercado, é lamentável ver que as crianças de hoje não apreciam mais essas revistinhas. A editora Abril tá se arrastando com os títulos da Disney que foram populares por tanto tempo. A Turma da Mônica também não tá tão popular quanto era antigamente e cada vez mais crianças esquecem estes títulos em detrimento dos enlatados japoneses e estadunidenses.

Não sei qual a realidade em outras regiões e estados do país, mas aqui na Paraíba as bancas exibem prateleiras repletas de DC, Marvel e Mangás e pouquíssimos títulos nacionais. Sem falar que muitos destes em edições mega-atrasadas.

Nos jornais, terreno sempre fértil para o surgimento e expansão do nosso genuíno quadrinho, a coisa também não anda nada bem. Mais uma vez citando o caso do meu estado, Paraíba, nenhum jornal veicula quadrinhos. O máximo que temos de cartum é uma ou outra charge que recebe cerca de dez centímetros quadrados no caderno de política. Em âmbito nacional, não custa nada citar o caso recente do Jornal do Brasil, que cancelou a publicação de sua excelente seleção de quadrinhos, que incluía, entre outros grandes autores, André Dahmer.

O que está acontecendo com o Brasil? Se no início desse texto eu já ressaltava o problema do mercado editorial em relação aos quadrinhos, conforme a década de 2010 se aproxima a coisa parece ficar cada vez pior. O mais irônico é que o interesse por quadrinhos nacionais não parece ter diminuído, já que alguns quadrinhos continuam fazendo sucesso na web (a exemplo do Bichinhos de Jardim e do Malvados). Mas algo é interessante de ser observado: o sucesso dos “Malvados”, dos “Bichinhos de Jardim” e do ainda não citado “Homem Grilo”, entre tantos outros, ainda é extremamente baixo quando comparado à “febres do momento”, como o Dr. Pepper.

Em recente votação popular de um grande concurso de webcomics (não lembro agora qual o site/instituição que promoveu), Dr. Pepper ganhou disparado como melhores tirinhas do Brasil. Analisando criticamente a produção do “Criador”, ela não chega nem perto da produção do André Dahmer, da Clara Gomes, do Cadu Simões, do Angeli, do Laerte… efim. O humor das tirinhas do Pepper se resumem à exploração gratuita e barata da sexualidade, geralmente denotando e reforçando preconceitos.

Lembrando aqui uma classificação de George Bataille (em “O erotismo”), uma das características da pornografia é a perpetuação de valores sociais que valorizam sempre o macho Alfa em detrimento da mulher, do homossexual e outros. Todo mundo já deu sua olhada em alguma pornografia, mas ela sempre representa um prazer momentâneo, que não deixa e não provoca nada de permanente em você. Se ela transforma-lo, será sempre no sentido da segregação sexual.

A pornografia é sempre impulsiva e infantil. O humor sexual pode ser obtido por outros meios que não a pornografia, um ótimo exemplo disso é a eterna “Rêbordosa” ou os “Skrotinhos” de Angeli (assim como muitas de suas charges), também a produção do incrível Adão Iturrusgarai. Eu prefiro estes.

O cenário é negro e o gosto popular parece cair cada vez mais. Sempre haverá de existir aqueles que resistem e a internet é uma ótima ferramenta para a manutenção de um padrão mínimo de qualidade nos quadrinhos nacionais.

Enquanto isso, nos resta esperar que o cenário melhore.
Oremos.

Pra compensar e apreciar:

O cenário é triste, mas a coisa ainda tá bem engraçada.

Vamos a uma lista de autores de quadrinhos espalhados pela websfera:

Destaque para a nova geração de quadrinistas web:

É isso. Minhas sinceras desculpas se esqueci alguém.

Twiteiro desde criancinha

Para os que ainda não seguem, sigam:  @RodrigoLeao

Um abraço a todos e ótima semana.

Deus esteja

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Discussão (11) ¬

  1. Nibelung

    Rapaz, eu quase nunca comento aqui, mas essa análise me lembrou muito algo que rolou no orkut a umas duas semanas. Não tenho como dar o link porque o tópico foi apagado, mas era quase isto que você disse aí em cima: O mercado hoje se concentra em Mônica, e algum outro gato pingado que sai em encadernados (Aline, Maluquinho, Piratas do Teitê, etc…). Todo o resto é importado, que, embora tenha alguns EXCELENTES nomes, como Calvin e Haroldo, outros só estão sendo publicados por moda ou costume, como os supers da Marvel/DC, e os mangás “underground”, como Sunadokei e MDP Psycho.

    Turma da Mônica teve que se adaptar aos novos tempos. As expressões faciais dos personagens agora estão bem mais exageradas, “manga-style”, além da renda de TdM estar mais centrada nas republicações (Tiras clássicas e Coleção Histórica) do que necessariamente em material novo.

    Meu ponto de vista? Depois da popularização da internet, o pessoal fica com preguiça de ir numa banca de revista e comprar algo pra ler. Acham pouco atrativo lerem uma história, verem uma piada, e não ter “ninguém” pra comentar e dizer “lol” ou “primeiroooo”. Consideram desperdício de dinheiro gastar 5 reais numa revista Disney quando podem acessar histórias de graça via emule.

    Brasileiros nunca foram conhecidos por gostarem de ler, mas eu tenho a grave impressão que a internet piorou esse cenário, ensinando o pessoal a simplesmente procurar algo no google ao invés de pensar por si só.

  2. Elias

    Bom vamos lá, não existe mercado de quadrinhos nacionais impresso, existem sim meia dúzia de autores de qualidade e meio mundo de fanzineiros.
    Os fanzineiros(toda regra tem sua exceção) entregam um material de péssima qualidade(tanto gráfica, quanto nos traços e na história) e vêm com aquele papo que é “HQ Nacional” e que temos a obrigação de comprar para “ajudar”, pô! se fosse algo bom eles não precisavam apelar para esse papinho, ninguém liga se a HQ foi feita aqui ou no exterior, se importam sim com a qualidade das histórias….
    Já os bons autores(esses sim merecem destaque!), como Lorde Lobo, Samicler Gonçalves, Mauricio de Souza(nunca achei graça na TMN, mas…) e outros que não me recordo do nome, infelizmente não tem condições de bancar uma grande quantidade de impressão para colocar suas HQs ao menos em um ponto de cada estado e nenhuma editora quer gastar dinheiro promovendo algo que provavelmente só dará dinheiro daqui há alguns anos e convenhamos que são poucos os que vão comprar direto com o autor. Outro problema é a divulgação dessas HQs que são feitas apenas em sites “especializados” em “HQBR” e por isso não consegue pegar leitores novos.
    Sobre a internet: Acho que as webcomics são a melhor maneira para a publicação de novos autores(e até mais lucrativa, veja o exemplo de PVP) e se a webcomic conseguir um bom público pode muito bem ganhar uma versão impressa com o número de impressões baseado na quantidade de visitante e evitar perca de dinheiro.
    Não vejo nada errado com o Dr.Pepper, não sou grande fã daquele tipo de humor(e nem o apoio), mas nunca falaria contra. “O criador” não deixa de ser um autor brasileiro que achou seu caminho na população(a mesma que vota no Lula e briga por futebol) brasileira, mas quem somos nós para julgar? Gosto não se discute e ao levantarmos uma bandeira contra esse movimento estamos sendo preconceituosos….
    Na internet podemos achar ótimos autores como Mauricio Rett, Wesley Samp, Dahmer, Samuel Fonseca(a lista é tão grande que ficaria algum tempo digitando) e autores péssimos como TUDO NA VIDA, apesar que para mim uma coisa pode ser péssima e para outro ótima. Então acho que tudo é válido e que para criarmos um mercado impresso aqui no Brasil precisamos de mais gente que distribua e divulgue as HQs, precisamos de mais 4mundo’s e editoras com visão para publicar hq brasileira….
    Espero que dê para entender o que eu disse, é complicado escrever um texto nessa caixinha de comentário xD e não quis hora nenhuma ir contra o seu comentário ou qualquer coisa do tipo, só quis mostrar outro ponto de vista para aumentar a discussão e consequentemente a nossa evolução.

    Abraços e boa Semana.

  3. Evan Henrique

    “O humor das tirinhas do Pepper se resumem à exploração gratuita e barata da sexualidade, geralmente denotando e reforçando preconceitos.”

    Esse é o grande problema do quadrinho brasileiro. Está, inevitavelmente ligado ao humor, -muitas vezes de péssima qualidade – e ao infantil. Super-heróis brasileiros de fato nunca vão vingar, mas pelo menos para mim, a produção nacional carece de roteiristas bons e sérios. O que se produz em termos de HQ juvenil? Temos as web comics, que em 80% dos casos é um humor sujo e sexual, com raras exceções como você e a clara do bichinhos, ou ainda específico, como é o caso do Karlisson do Nerdson. O que quero dizer é: Falta um projeto sério e ambicioso para a produção de HQ’s nacionais. Temos grandes artistas, mas os escritores de qualidade que poderiam produzir algo divertido, juvenil e brasileiro estão totalmente voltados pra outras mídias. Enquanto isso, temos que engolir coisas como esses filhotes da explosm.net e Turma da Mônica jovem.

  4. Carol

    Ow Rodrigo, valeu pelo link! ^^
    Li tudo mas nem sei o que dizer, o artigo e os comentários já falam tudo!

  5. Rodrigo Chaves

    Opa, nota dez o texto. Gostei muito da explicação sobre a pornografia nos quadrinhos.
    Só tenho uma coisa a acrescentar. O mercado brasileiro de quadrinhos não vai melhorar enquanto a coisa não passar a ser tratada como ‘negócio’. O brasileiro acha que vai fazer uma revista, botar na banca e vender… não é assim que a coisa funciona. É só olhar como as empresas de quadrinhos e o syndicates americanos funcionam. Um personagem não é lançado só por ser divertido, ou porque o autor é dedicado, um dos fatores mais importantes para ele ser lançado é potencial comercial de licenciamento. Todo mundo sabe que o grosso do dinheiro está no licenciamento de produtos. A venda dos quadrinhos (seja em forma de revista ou para jornais) é apenas uma parte do negócio. O que eles fazem? Eles lançam a hq e aos poucos vão lançando todo tipo de produto com o personagem – desde cadernos e canecas até desenho animado para TV e filme. É tudo uma grande campanha de marketing que se auto-alimenta. As pessoas são bombardeadas por todos os lados pelos personagens. No fim, a pessoa compra revista porque viu o desenho na TV, aí compra o bonequinho, a agenda… e quando vê gastou uma grana no personagem.
    Maurício de Sousa fez exatamente esse esquema com a Turma da Mônica. A venda de revistinhas é apenas uma parte do império de produtos licenciados que ele construiu. Tem até maçã da Mônica para comprar!
    É uma reclamação muito comum (o Bill Watterson reclama disso direto) que muitos syndicates escolhem as tiras que vão vender pelo potencial de licenciamento, e não pela qualidade artística, mas isso já é outro papo.
    De qualquer maneira, acho que enquanto os quadrinhos brasileiros não forem tratados de forma empresarial, como um negócio mesmo, vai continuar sendo bem difícil a vida dos quadrinhistas brasileiros.
    Acho que é isso. Espero que tenha dado para entender o que eu quis dizer.

  6. Rodrigo Chaves

    Ah, fiquei tão entusiasmado escrevendo que esqueci de dizer, valeu por ter me indicado ali nos “autores de quadrinhos espalhados pela websfera”.
    abração

  7. Wesley Samp

    Valeu pela citação, Rodrigo. Fiquei honrado em ser listado ao lado desses feras!

    Acho que os quadrinhos online podem se tornar uma poderosa maneira de manter viva a HQ nacional. Além de democrática, a web atinge uma camada cada vez maior da nossa população. Gente que nunca pôs os pés numa banca de revista mas freqüenta uma lan house diariamente.

    Quem sabe?

  8. bebeto_maya

    Eu discordo enfaticamente de muitos pontos, primeiro:

    “Lembrando aqui uma classificação de George Bataille (em “O erotismo”), uma das características da pornografia é a perpetuação de valores sociais que valorizam sempre o macho Alfa em detrimento da mulher, do homossexual e outros.”

    Não creio nisso. Pra mim é papo de “luta de classes”, ou neo-marxismo. Não engulo mesmo. Pornografia atrai homem, porque homem tem 20 vezes mais testosterona. Pornografia gay tem o mesmo apelo para o público homossexual masculino. O movimento politicamente correto tende a transformar a mulher num “homem de saias”.

    Com relação ao quadrinho brasileiro, ele não vende porque o povo é semi-analfabeto. Em países de leitores, literatura clássica, há mais leitores de quadrinhos. Portanto um governo paternalista que investe na indústria de HQ’s, com essas leis de reserva de mercado, apenas cria um quadrinho estatal. Quando a população tiver acesso a cultura, ou melhor, parar de comprar cachaça para adquirir livros, os quadrinhos enveredarão pelo mesmo caminho.

    Ainda comparando com a indústria americana no Brasil, o quadrinho enlatado, é óbvio que o mesmo não vende bem no Brasil. Revistas americanas são canceladas a todo momento e títulos com continuidade vão para o Limbo numa velocidade espantosa. E olha que estamos falando dos quadrinos dos profissionais mais bem pagos do mundo. Não dá pra comparar nosso quadrinho com o deles. Ele são industriais, eles contratam artistas do mundo inteiro, nós apenas fazemos porque gostamos. Nesse sentido, afirmar que um mercado quase inexistente no Brasil, como o Americano que sobrevive graças a persistência da Panini, destrói a HQ brasileira é briga de mendigos, visto que ambos os mercados são miseráveis.

  9. Gus Morais

    Ótima lista de autores, apesar de estar mais ligado no que acontece nos quadrinhos na web, alguns nomes eu nunca tinha visto.

    Vou ser curto e grosso no meu comentário: não há mercado para quadrinhos no Brasil, não se pensarmos em termos tradicionais. Como você disse, esse espaço morre nos jornais. Nas bancas, então, pior ainda: os custos com impressão são altos e o quadrinista brasileiro não possui exatamente uma linha de produção dinâmica, como o Mauricio (isso inclui roteiros, pesquisa de mercado e gostos de leitores, desenho padronizado para produção em série, etc). No fundo, o quadrinista brasileiro gosta dessa coisa de “trabalho autoral”, o que quebra qualquer perspectiva de quadrinhos de massa em bancas.

    Não que o trabalho autoral seja ruim. Mas ele só funciona se o cara, após anos e anos, passar a ser reconhecido (como Mutarelli ou, mais recentemente, o Fabio Lyra). E aí vende-se um album em edição de luxo por preços caros para uma pequena elite cult. Se isso é fazer quadrinhos, eu não sei. Acima de tudo, os quadrinhos precisam ser lidos, e por muita gente. Se meia duzia de amigos compram, é melhor continuar nos fanzines mesmo.

    Por ooooutro lado, acho que estamos em um período de mudança. A web proporciona novas maneiras de apresentar e comercializar trabalhos que talvez ainda possam ser melhor desenvolvidas e trabalhadas. É importante para o quadrinista estar ligado nessas possibilidades da web e explora-las ao maximo. Uma coisa que me incomoda na produção de webcomics é a falta de vontade de fazê-las funcionarem em ambiente web. No caso das tirinhas é facil de ler e organizar, mas no caso das historias mais longas, o pessoal se perde colocando paginas em mil links, thumbnails e ferramentas RUINS (como aquela do Wordpress) que prejudicam demais a leitura.

    A leitura de quadrinhos na web deve ser tão facil quanto um virar de páginas no papel. Se o problema são formatos, pois bem: que se explore e se ofereça multiplos formatos. Cada leitor escolhe o seu. Que o dinheiro venha de outras formas – comercialização de materiais associados aos quadrinhos, por exemplo, ou de albuns contendo o material publicado online durante tais períodos. A web proporciona coisas lindas como EMBED (o maluco posta um codigo e pronto, o video do youtube ou, quem sabe, o seu quadrinho já fica lá postado no blog dele facil, facil). Falta pros quadrinistas captarem essas possibilidades, subverterem as ferramentas atuais a seu favor ou desenvolver novas.

    Um espaço multiplo exige formação múltipla. O quadrinista atual tem que ser de tudo um pouco (ou melhor, de tudo muito) – roteiro, design, webdesign, colorização, desenho. Se ele não sabe tudo, que se junte com quem sabe.

    Se puder, peço que dê uma olhada no meu trabalho. Nele tento algumas novas possibilidades de formato pra quadrinhos na web:

    http://gusmorais.wordpress.com

    Obrigado,
    Gus

  10. Lucas Weyne

    Vlw por citar meu nome Rodrigo, já é a segunda vez que você me cita, muito obrigado, li otexto e gostei, você falou tudo que eu precisava ouvir! Concordo com o Wesley Samp os quadrinhos online podem reverter essa situação.

  11. Matheus CTM

    Hoje em dia , muita gente está criando blog de hq ou coisas do genero , a maioria dos blogs famosos de estilo Dr.Pepper são baseados no Cyanide e Hapyness ( acho que assim o nome) . Tiras de humor negro , algumas vezes muito exagerado .

    Bem , esse estilo está fazendo sucesso no Brasil , um estilo de desenho simples com palavras de baixo calão . Deixando o desenho como os desses autores citados um pouco de lado …

    Espero que desenhos como o de vocês consigam deixar essa fase de lado e fazer as pessoas notarem o melhor estilo de tiras , idéias bem boladas com desenhos não tão simples … sem muito humor negro

Comentário ¬

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