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NÃO ESQUENTA, TIO

Poucas coisas me deixam tão feliz quanto o entretenimento barato (já que não pago nada extra) do Laerte. Sempre faço questão de citá-lo aqui porque, definitivamente, ele é um gênio. Há quem não goste de sua fase atual, e até confesso que há algumas das tirinhas mais recentes dele que eu não entendo – talvez pela minha carência das referências que ele utiliza. Porém, há uma boa quantidade dessa nova (ainda é nova?) fase dele que são demais. Quem acompanha a publicação diária na Folha de São Paulo sabe do que estou falando. São tirinhas que vão além do filosófico. Em alguma entrevista, publicada em algum blog, Laerte alegou que não considerava o seu trabalho “artístico”, já que ele trabalhava com o mero entretenimento. Concordo em parte com ele no que se refere às suas antigas tiras, estreladas por tantos e tantos personagens ilustres, como os Piratas e o Overman. Mas agora a situação é outra. As tirinhas de Laerte são construídas em cima de grandes metáforas. Apenas pra citar um exemplo, vejam esta tirinha aqui, ou esta outra aqui. É fenomenal o modo como ele utiliza os diálogos e os desenhos para expressar uma ideia. Na primeira tirinha que mostrei, a utilização de “caixas” é um recurso fascinante, principalmente quando vemos surgir no último quadrinho uma caixa de metal muito maior que as outras. E a que jogo se refere Laerte nessa tirinha? Esta metaforização, e ainda este questionamento que fica em suspenso ao final da tira são elementos puramente artísticos, assim dizem os manuais de arte. Na segunda tirinha, o jogo com o “caos” , a “destruição” e a “calmaria” é a arma da tira. Quando o carro passa por certos elementos nos três primeiros quadros, provoca bagunça, desordem. O mesmo acontece quando passa sobre os tubos de tinta. Porém, neste último há uma certa calmaria provocada pela possibilidade de criação, por meio das tintas, a partir da desordem.

Resumindo: Laerte foi e continua sendo Rei.

AINDA SOBRE LAERTE

Esta semana experimentei algumas técnicas de desenho sem esboço, que me deixaram bastante satisfeito. Coincidentemente, o Laerte publicou em seu blog na sexta-feira um pequeno texto sobre seu processo de produção, conforme podem conferir aqui.

Fiquei impressionado ao ver que ele é normal, e utiliza de recursos extremamente simples em seu trabalho, inclusive a boa e velha folha A4 (que cabe no scanner). Eu que sempre me achei um amador imperdoável com minha prancheta de grampo, meu lápis HB e minhas canetas nanquim descartáveis; me senti extasiadamente aliviado.

E POR ONDE ANDA WATCHMEN

Estreou na sexta. Já viram? Curtiram?

Por motivos obscuros, grana curta. Provavelmente não verei na telona. Pena.

Enquanto isso, me delicio com a releitura da HQ.

É isso.

Um abraço a todos

Deus esteja


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Discussão ¬

  1. Rodrigo Chaves

    Concordo! O Laerte é rei!

Comentário ¬

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