Dom Quixote é um personagem de Miguel de Cervantes e protagonista de um livro que se perpetuaria como um dos maiores clássicos da humanidade e que consagraria a “nobreza” de um gênero: o romance. Quando o escritor espanhol deu vida ao engenhoso fidalgo, não imaginava ele que muito tempo depois, num distante país tropical, seus personagens, cenários e cenas desfilariam em uma grande avenida, numa imensa Ópera popular que seria assistida por milhões de pessoas.
Essa Ópera é conhecida como Carnaval, o grupo que a encena é chamado Escola de Samba, e os integrantes pertencem às mais variadas classes sociais – assim como acontece com o povo daquele país tropical que na verdade é este, é o Brasil.
Ao som de uma música que conta uma história ou simplesmente enaltece algo, as pessoas dançam, cantam e encenam para milhões de telespectadores. Figurinos os mais caprichados, cenários luxuosos e gigantescos – também conhecidos como carros alegóricos –, figurantes e protagonistas empolgados dão o tom da festa.
A escola responsável pelo espetáculo foi a “União da Ilha”, que trouxe sob a batuta da carnavalesca Rosa Magalhães, os sonhos, loucuras, amores e desamores da vida de um personagem do qual todos temos um pouco. E essa não foi a única grande realização artística da noite, outras escolas vieram trazendo temas os mais diversos, complementando a noção de que o carnaval das Escolas de Samba não é uma Ópera não, é um festival delas.
Eu não sou ufanista, longe disso. Mas menosprezar o carnaval das Escolas de Samba é tão estúpido quanto idolatrar o carnaval de Recife por ele ser manifestação de “cultura popular”, ou do “verdadeiro carnaval”.
Sou ateu, mas, se fosse provado que rezar funciona, eu rezaria pra que a pseudointelectualidade brasileira saísse da puberdade.
Abraço e que Deus esteja.
Inté